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Jejum bíblico: necessário e indispensável

17/02/2016

Muitos cristãos já abdicaram do jejum bíblico. Esta prática cristã tem sido negligenciada em muitas de nossas igrejas. Alguns até acreditam que não precisamos mais jejuar. Os que assim pensam demonstram não conhecer as Escrituras. Quando Jesus foi interpelado pelo motivo de seus discípulos não jejuarem respondeu o seguinte: “Podem, andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão” (

Mt 9.15). Jesus deixou o ensino bem claro, quando retornasse ao céu e enquanto não voltasse sua igreja deveria jejuar.

 

Jejum é abstenção completa ou parcial dos alimentos, é no Antigo Testamento uma prova de humilhação espiritual frequentemente descrita pela frase: “afligir a alma” (Lv 16.29-31). Os judeus jejuavam do pôr do sol de um dia até o pôr do sol do outro dia. Ou seja, das 18 horas de um dia, até às 18 horas do outro dia. Contabilizando assim, 24 horas de jejum.

 

O jejum era comum no Judaísmo e também no Cristianismo Primitivo e tem desaparecido quase que totalmente em algumas “igrejas”, certamente para o seu próprio detrimento. Em oposição ao comportamento de muitos nos tempos hodiernos, a Bíblia contém inúmeros exemplos de jejum:

 

 

            Jejum no Antigo Testamento:

           -Moisés ao receber a lei de Deus (Ex 34.28)

           -Davi ao orar pelo filho de Bate-Seba (2Sm 12.16)

           -Ester ao interceder pelos Judeus (Et 4.16)

           -Daniel ao orar em favor dos exilados (Dn 9.3)

 

 

            Jejum no Novo Testamento:

            -Jesus Cristo, antes de iniciar seu ministério (Lc 4.1-2)

            -Paulo após a sua conversão em Damasco (At 9.8-9)

            -A Igreja de Antioquia ao separar missionários (At 13.2-3)

             -Paulo e Barnabé ao empossar pastores (At 14.23)

Por meio destes exemplos podemos perceber que os jejuns foram realizados em momentos decisivos revestidos de magnitude e desenvolvimento espiritual na vida destes personagens bíblicos, inclusive do próprio filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo!

 

Modelo de jejum

 

No evangelho de Mateus temos o registro do ensino de Jesus de como devemos praticar o jejum. Somos advertidos a não realizar o jejum com motivações erradas. O jejum não deve servir para demonstração de espiritualidade. Nem para ser aplaudido ou reconhecido pelos homens. As orientações de Jesus, quanto ao jejum bíblico, são as seguintes:

 

Não vos mostreis contristados” (Mt 6.16). É possível que a referência inclua a ideia de que os hipócritas tinham por hábito ficar sujos e barbudos. Colocavam tanta cinza na cabeça, que esta descia pelo rosto e barba desfigurando a fisionomia. A pretensão de piedade e o desejo de serem reconhecidos pelos homens foram ações condenadas por Jesus. O jejum tinha sido reduzido em mera formalidade, sem conteúdo verdadeiramente espiritual. Em nossos dias são igualmente condenáveis a falsa aparência de piedade.

 

Unge a tua cabeça, e lava o teu rosto”(Mt 6.17). Na prática do jejum judaico, os atos de ungir-se e lavar-se eram proibidos, para que fossem demonstrados sentimentos de contrição e arrependimento. Na Nova Aliança, Jesus ensinou que o verdadeiro cristão não precisa ostentar o que faz e nem chamar atenção sobre si mesmo. Deve proceder normalmente de modo que ninguém perceba que esteja jejuando.

 

Em secreto te recompensará” (Mt 6.18). O jejum deve fugir de toda motivação e propósito equivocado. A recompensa do verdadeiro jejum será concedida por Deus em secreto, para evitar o aplauso dos homens. Quem jejua publicamente recebe galardão humano. Aquele que o faz em secreto será recompensado pelo Senhor.

Qualquer outro modelo e forma de jejum é antibíblico e deve ser desconsiderado.Portanto, convido-lhe, ao resgate e prática do jejum bíblico tão necessário e indispensável na vida do cristão.

 


Douglas Roberto de Almeida Baptista
é pastor, líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal, doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; e segundo-vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás, além de diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas. 

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